Por que criar um protótipo antes de fabricar um produto?

Nenhum inventor quer perder tempo e dinheiro depois de se dedicar a uma solução inovadora, certo? Então, você precisa ler esse texto e entender definitivamente a importância de criar um protótipo e como ele pode ser determinante para o futuro da sua invenção.

Você já imaginou o tamanho da frustração de trabalhar durante algum tempo em uma invenção, investir suas economias e, ao final da caminhada, não ver o resultado prático após a fabricação do produto ou não garantir a patente? Infelizmente, essa é uma realidade que atinge inventores em todo mundo, mas pode ser evitada com uma decisão simples: criar um protótipo.

Quando se tem uma ideia inovadora, é normal que o planejamento de um passo a passo adequado seja atropelado pela euforia, pela empolgação e, possivelmente, pela distração momentânea. E é nesse momento em que tudo parece tão certo que se despreza a importância do desenvolvimento prático de uma teoria.

Criar um protótipo antes de iniciar a fabricação não tem o objetivo apenas de mostrar se uma invenção funciona. Essa iniciativa pode potencializar uma ideia que já era muito boa no papel e facilitar a busca por parceiros para a fabricação em grande escala.

É claro que criar um protótipo de invenção requer muitos cuidados estratégicos para não prejudicar seu pedido de patente. Aliás, não esqueça essa informação: ao mesmo tempo em que o inventor desenvolve sua criação, também deve se preparar para dar entrada no pedido de patente ao INPI. 

Isso é fundamental para o seu futuro. E, não à toa, criar um protótipo do invento também vai contribuir para que o INPI conceda a patente de invenção. Quer entender por quê? Vamos detalhar este assunto nos tópicos abaixo. 

O que significa criar um protótipo?

Criar um protótipo nada mais é do que produzir uma versão preliminar do produto ou solução que, em teoria, foi inventado. Ela não precisa ser idêntica ao produto final e nem utilizar os mesmos materiais ou processos de fabricação.

Quer um exemplo icônico? O aspirador de pó sem saco que usamos hoje em dia teve seu primeiro protótipo construído de maneira bem rudimentar, utilizando apenas papelão e fita adesiva acoplados a um aspirador convencional (com saco para poeira).

O inventor, James Dyson, queria testar a tecnologia de separação ciclônica (Dual Cyclone). Depois de criar um protótipo inicial, ele foi aperfeiçoando a ideia por alguns anos e chegou à versão final em 1986, comprovadamente eficaz na manutenção da sucção mesmo com o reservatório cheio de pó – diferente do que acontecia com o aspirador de saco.

Por que criar um protótipo antes de fabricar um produto?

Como descrito no tópico anterior, criar um protótipo é uma ótima maneira de testar uma invenção na prática. Afinal, isso será importante na hora de apresentar a ideia a potenciais investidores ou parceiros para a produção em escala.

Mas esta não é a única razão para criar um protótipo. Veja outras abaixo:

  • Identificar falhas e corrigi-las
    Os testes podem revelar problemas de diferentes naturezas e isso vai permitir que o inventor aperfeiçoe a ideia até chegar ao produto final. James Dyson, que citamos anteriormente, está milionário com sua invenção depois de criar 5.127 protótipos do aspirador de pó sem saco.
  • Verificar se a solução funciona
    Em muitos casos, a teoria é uma coisa e a prática é outra. Acredite, muitos inventores já chegaram à conclusão de que sua ideia inovadora simplesmente não se confirmou eficaz na prática, ao criar um protótipo. Isso possibilita não só fazer ajustes, como redirecionar o esforço para outra inovação, economizando tempo e dinheiro.


  • Criar base para relatório descritivo
    O protótipo contribui bastante para o pedido de patente no INPI. Um dos critérios mais rigorosos na avaliação dos examinadores é o relatório descritivo da invenção, que deve ser altamente detalhado e técnico. Com a materialização da ideia é possível reunir informações preciosas para ter o pedido aprovado pelo INPI.


  • Reduzir custos e desperdícios
    Criar um protótipo de uma invenção é o melhor jeito de evitar gastos desnecessários. Afinal, além de o projeto permitir um certo nível de simplicidade, é muito mais seguro financeiramente descobrir que ele precisa de ajustes nesta fase do que após iniciar a fabricação em escala.


  • Avaliar a experiência de uso
    Mesmo que a invenção funcione corretamente com o protótipo, ainda é possível avaliar seu uso prática, identificando pontos em que é possível melhorar a experiência do usuário quando iniciar a fabricação do produto.


  • Facilitar a apresentação do projeto
    Esse é um ponto muito importante. A produção física ou digital de uma invenção ajuda demais na busca por investidores, parceiros e equipes responsáveis pelo desenvolvimento do produto. É a materialização da ideia, uma referência tangível que pode fazer a diferença no entendimento da inovação.

Como você pôde observar, criar um protótipo só traz benefícios para o inventor. E é importante entender como ele pode ser feito. Portanto, não deixe de ver o próximo tópico.

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Quais tipos de protótipos e como escolher o ideal?

Lembra que explicamos que o protótipo não precisa ser idêntico ao produto final de uma invenção? Então, realmente não precisa, mas ele pode ser mais próximo do que você imaginou. A escolha de como será seu projeto vai depender do nível de desenvolvimento do invento.

Em tese, você pode criar um protótipo de:

  • Baixa fidelidade
    Neste nível, já é possível explorar pontos de uma invenção para validar conceitos e até corrigir possíveis falhas. E o melhor de tudo é que não se gasta muito com material (sketches, papel, wireframes).


  • Média Fidelidade
    Um protótipo dessa categoria já permite fazer testes de uso por meio de modelos digitais estáticos, espuma, papelão. Com isso, é possível verificar a ergonomia ou proporções físicas do produto.


  • Alta Fidelidade
    Neste caso, a experiência é muito mais realista com uso, por exemplo, de impressão 3D de excelência ou circuitos. Esse tipo de protótipo costuma ser usado em fase final de testes, com uma grande riqueza de detalhes. Inclusive a ponto de ser apresentado a potenciais investidores para a fabricação em escala.


Vale ressaltar que, ao criar um protótipo, o inventor não tem o compromisso com o funcionamento integral. Na verdade, o projeto é parte do desenvolvimento da invenção. E, ao mesmo tempo em que os testes vão avançando, o nível de fidelidade também vai aumentando até chegar o mais próximo possível do produto final.

Paralelamente a essa evolução, o inventor deve dar atenção especial à proteção legal de sua invenção. Ou seja, se preparar para o pedido de patente.

É preciso criar um protótipo para patentear uma invenção?

Não é obrigatório criar um protótipo da invenção para solicitar a patente dela para o INPI. No entanto, é recomendável. Para conceder esse título de propriedade, o examinador da autarquia vai colocar um olhar técnico minucioso sobre o relatório descritivo da invenção – esse, sim, indispensável para conseguir uma patente.

Neste sentido, o protótipo pode ser um aliado importante ao passo em que ele oferece informações mais precisas para serem incluídas nesta descrição técnica. Além disso, permite também que o funcionamento seja verificado, especialmente para atender um dos requisitos básicos para a concessão de uma patente: a aplicação industrial.

Qualquer invenção só é considerada patenteável se for realmente uma solução nova,  se oferecer um ganho técnico real em sua funcionalidade e se puder ser produzida em escala.

Ou seja, ao criar um protótipo, o inventor pode comprovar os conceitos do invento e descrevê-los de forma mais robusta e comprovada no pedido de patente entregue ao INPI. 

Cuidados importantes antes de apresentar o protótipo ao público?

Até aqui, já ficou bem claro porque é importante criar um protótipo, certo? Mas tem um detalhe que jamais pode ser esquecido pelo inventor. É preciso preservar o sigilo da invenção.

Sempre é bom lembrar que só é reconhecida como invenção o que for, de fato, novidade. Neste contexto, fica a dúvida: como apresentar o protótipo ao público sem deixar de lado o cuidado com o sigilo?

A principal recomendação é dar entrada no pedido de patente antes de tornar a invenção pública. Com isso, o requisito da novidade será preservado, tornando viável a possibilidade de conseguir a patente.

Mas, caso o inventor tenha tornado sua invenção pública, ainda há uma exceção à regra na Lei de Propriedade Industrial que garante o status de novidade por até 12 meses após a divulgação. 

Por outro lado, a validade internacional pode ser restrita, pois nem todos os países aceitam o chamado “período de graça” da mesma forma que o Brasil. Então, se você pretende levar sua invenção para outros mercados, vale manter o sigilo total até dar entrada no pedido de patente no país que pretende atuar.

Criar um protótipo é um passo para sair na frente

Por tudo que descrevemos aqui, está claro que criar um protótipo de invenção representa uma vantagem para o inventor. A questão é que, desde a ideia inicial, a estratégia de proteção deve estar atrelada ao desenvolvimento do invento.

Então, não basta apenas confirmar todos os seus conceitos em relação à inovação de sua criação. É preciso assegurar que essa propriedade estará protegida contra plágio ou cópia e que você será titular de todos os direitos exclusivos garantidos pela patente. 

Desta maneira, é altamente recomendável procurar por um serviço especializado em gestão de propriedades industriais. A VILAGE Marcas e Patentes coloca à sua disposição a expertise de mais de 40 anos neste segmento, com profissionais experientes para traçar a melhor estratégia para viabilizar e potencializar a sua invenção. Quer saber mais como podemos te ajudar? Solicite agora mesmo uma análise personalizada.