Copa do Mundo: cuidados e restrições sobre o uso de marcas da FIFA

Em um país que respira futebol, como o Brasil, é normal qualquer marca mergulhar neste clima de Copa do Mundo para tentar atrair clientes. No entanto, é preciso ter atenção para não violar direitos sobre as propriedades registradas pela FIFA.

Copa do Mundo

Está chegando a hora. O brasileiro respira futebol e está ansioso pela Copa do Mundo. Além do amor pelo mais popular dos esportes, quem tem uma empresa também vê uma grande chance de alavancar os negócios, conectando sua marca a esse sentimento especial que o país vive a cada quatro anos.

Só que é preciso ter alguns cuidados para não violar os direitos de propriedade intelectual da FIFA. Afinal, ela é detentora de diversos elementos, expressões e símbolos relacionados à Copa do Mundo, que será realizada no Catar, a partir do dia 20 deste mês.

Neste post, vamos apresentar as restrições sobre o uso das marcas da entidade máxima do futebol e algumas dicas para chegar ao seu cliente usando a Copa do Mundo como ponte, sem violar nenhum direito sobre a propriedade intelectual da FIFA.

Para começar, precisamos entender a influência da Copa do Mundo no comportamento de consumo brasileiro. Afinal, é inegável que a competição movimenta a economia nacional e é praticamente impossível qualquer marca no Brasil ignorar o evento sem ter algum tipo de prejuízo.

Por que não dá pra ignorar a Copa do Mundo?

Dizer que brasileiro é apaixonado por futebol e por Copa do Mundo é chover no molhado. Mas quando se observa o hábito nacional sob a frieza inquestionável dos números, esse amor ganha muito mais peso.

Em julho deste ano, uma pesquisa divulgada pela Globo (Pinion Copa do Mundo 2022) mostrou que 9 entre cada 10 brasileiros que consomem conteúdo sobre futebol pretendem acompanhar a competição de seleções no Catar. Além disso, 61% já veem o noticiário sobre a Copa há alguns meses.

E, embora sempre tenha torcedores que discordam de alguma postura ou da política no comando do futebol no Brasil, 95% deles vão torcer pela seleção canarinho. Ou seja, está bem clara a oportunidade que a Copa do Mundo traz para empreendedores, especialmente porque 75% dos consumidores também reconhecem credibilidade nas marcas que anunciam na competição. Diante desses números, dá para entender porque não é possível ignorar a Copa do Mundo quando se fala em fortalecimento da marca, certo? Agora, vamos falar dos cuidados que são necessários para que sua estratégia não traga prejuízo ao invés de lucro.

As restrições sobre as marcas registradas da FIFA: o que não pode usar?

A Copa do Mundo mexe com o coração de torcedores em todo o planeta e, por isso, é um grande negócio para a FIFA. É claro que, como entidade organizadora, ela vai buscar a proteção deste ativo bilionário. E o FIFA Intellectual Property Guidelines (Diretrizes de Propriedade Intelectual da FIFA) estabelece que somente os patrocinadores oficiais e parceiros regionais podem explorar comercialmente as marcas registradas pela entidade.

Desta forma, é proibido à toda empresa que não tenha a autorização da FIFA utilizar símbolos oficiais, slogans, nomes relacionados à competição, tais como:

  • O emblema/logo oficial da Copa do Mundo;
  • A imagem do troféu oficial;
  • A imagem da bola oficial;
  • O cartaz oficial;
  • A fonte oficial “QATAR 2022”;
  • O slogan “Now is all” (Agora é tudo);
  • As hashtags oficiais da Copa nas redes sociais;
  • A imagem e o nome do mascote oficial;
  • Os cartazes e logos oficiais das cidades da Copa;
  • Expressões como Copa do Mundo, Copa do Mundo FIFA 2022, Copa do Mundo FIFA Catar 2022, Catar 2022 ou Qatar 2022, FIFA, entre outras.

Pode parecer uma loucura, mas tudo isso (e muito mais) é registrado como marca da FIFA. Ou seja, ela é titular dessas propriedades e pode licenciar o uso para terceiros.

Vale lembrar que símbolos nacionais também são restritos. A camisa da seleção brasileira, o nome e o escudo da CBF, o mascote da seleção e até o termo seleção brasileira são propriedades da Confederação Brasileira de Futebol e não podem ser usados comercialmente sem a autorização dela.

Com todas essas restrições sobre a Copa do Mundo, fica a pergunta: Como aproximar minha marca do torcedor brasileiro neste momento sem poder utilizar todas essas propriedades registradas pela FIFA e pela CBF?

A resposta é simples: usando a criatividade!

Como usar referências à Copa do Mundo sem violar direitos de propriedade?

Bem, se não é possível ignorar a Copa do Mundo no contexto comercial, você precisará tomar cuidado para não violar os direitos de propriedade intelectual registrados pela FIFA e pela CBF na hora de tentar despertar interesse de seu cliente – seja lá qual for o ramo de sua atividade.

Então, qualquer campanha de marketing ou um simples anúncio de sua empresa pode buscar saídas alternativas. Você pode usar, por exemplo:

  • A palavra Copa (sem “Mundo” ou “2022”);
  • A palavra seleção (sem “brasileira”);
  • Imagens da camisa verde e amarela (sem ser a oficial da seleção e sem o escudo da CBF);
  • Imagens de uma bola (desde que não a oficial da Copa do Mundo).

Monitoramento de uso indevido de propriedades da FIFA

O registro de marcas e patentes é um procedimento extremamente sério e eficaz na proteção dos direitos de qualquer negócio. A FIFA, por exemplo, não só garantiu a exclusividade sobre nomes, símbolos e imagens da Copa do Mundo do Catar, como também tem um departamento só para cuidar da proteção de suas marcas, com advogados especializados espalhados em todo o planeta.

Ou seja, a entidade faz o monitoramento e quem usar indevidamente qualquer marca será identificado e punido de acordo com a lei. Para se ter uma ideia, entre 2010 e 2014, a FIFA identificou 450 casos de violações de seus direitos sobre a Copa do Mundo de 2014, realizada aqui em nosso país. Então, todas as restrições que você viu acima só confirmam a importância de se tratar a marca como um ativo sagrado.

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