Copa do Mundo. Basta ler essas três palavras para saber que se trata do maior torneio de futebol do planeta. Isso mostra não só a popularidade do esporte, mas também a valorização e a força de uma marca global. É por isso que toda empresa que quiser aproveitar o grande apelo do mundial para impulsionar seus negócios deve saber o que pode e o que não pode ser usado comercialmente.
Surpreso (a) com o alerta? Pois saiba que é importantíssimo tomar muito cuidado ao querer turbinar seu produto ou serviço usando a Copa do Mundo como pano de fundo. Todos os elementos, expressões e símbolos oficiais da competição pertencem à FIFA. O uso comercial de qualquer propriedade relacionada ao torneio sem autorização da titular vai trazer problemas para o seu negócio.
Isso significa que você terá que ficar fora da grande bolha e deixar passar a oportunidade de aproveitar a febre da Copa do Mundo? Claro que não. Aliás, isso nem seria recomendado, já que os números mostram que o futebol continua sendo um grande negócio no Brasil.
Para se ter uma ideia do interesse do público, a pesquisa Predictions 2026, da Ipsos, revelou que 71% dos brasileiros planejam assistir aos jogos da Copa do Mundo de 2026, realizada em três países (EUA, México e Canadá). Esse resultado é bem superior à média global de 59%.
Quer mais? Dados do Google Trends mostraram que as buscas online dos brasileiros por informações relacionadas à Copa do Mundo subiram 360% pouco mais de um mês antes do início do torneio. Esse crescimento também supera a média mundial de pesquisas sobre o tema, que teve aumento de 170% no mesmo período.
Outra estatística relevante vem de um levantamento do Serasa Experian, em maio de 2026, que aponta que 13,5 milhões de brasileiros têm propensão a aumentar o consumo durante a Copa do Mundo (87% deles em ambiente online).
Não à toa, as campanhas publicitárias durante a Copa do Mundo são focadas na relação do brasileiro com a competição, seja na TV, no rádio, nos sites, nas redes sociais ou qualquer outro tipo de mídia. É um amor acumulado diariamente e declarado a cada quatro anos.
A Copa do Mundo está em todos os lados. Mas, ao mesmo tempo, não pode estar em qualquer lugar, justamente por conta das restrições de uso das marcas registradas pela FIFA. É por isso que é importante saber exatamente o que pode e o que não pode ser usado comercialmente.
E você vai entender tudo a partir de agora.
Copa do Mundo FIFA: veja o que não pode usar
Quando se fala Copa do Mundo, não dá para limitar o debate apenas à paixão de torcedores espalhados por todos os continentes. Ao mesmo tempo em que mexe com o coração de multidões, o torneio é um grande negócio para a FIFA. E é claro que ela tem a proteção deste ativo bilionário.
O FIFA Intellectual Property Guidelines (Diretrizes de Propriedade Intelectual da FIFA) estabelece que somente os patrocinadores oficiais e parceiros regionais podem explorar comercialmente as marcas registradas pela entidade.
Então, até mesmo a expressão “Copa do Mundo” não pode ser utilizada em caráter comercial sem a autorização da entidade máxima do futebol. Mas ela não é a única. Veja abaixo todos os elementos que têm seu uso vedado comercialmente:
- Nome e marcas relacionadas
É proibido o uso das expressões FIFA, FIFA World Cup™, FIFA World Cup 2026™, Copa do Mundo FIFA™, World Cup™, assim como suas variações e traduções.
- Emblemas oficiais
O logotipo e a identidade visual oficiais da Copa do Mundo não podem ser usados com finalidade comercial sem autorização da FIFA.
- Troféu da Copa do Mundo
É muito comum, por falta de informação, empresas utilizarem em campanhas a imagem do troféu oficial da Copa do Mundo. Isso é proibido e vale até para ilustrações que reproduzam a taça.
- Bola oficial
Esse é outro grande risco. Poucas empresas sabem que até a bola oficial da Copa do Mundo é um ativo protegido por lei e não deve ser explorado comercialmente sem a autorização da FIFA.
- Mascote oficial
Em 2026, são três os mascotes, já que são três países-sedes: Clutch (uma águia-americana), Maple (um alce canadense) e Zayu (uma onça-pintada mexicana). Tanto os nomes, quanto as imagem dos mascotes são ativos protegidos e não podem ser usados comercialmente.
- Slogan e cartazes oficiais
Também é proibido que empresas que não sejam parceiras ou patrocinadoras utilizem, em qualquer campanha, o slogan oficial da competição (We Are 26), bem como materiais gráficos produzidos pela FIFA.
- Hashtags oficiais
Pode parecer uma coisa banal, mas até mesmo as tradicionais hashtags usadas nas redes sociais para interação dos fãs da Copa do Mundo, não podem ser utilizadas sob a ótica comercial, sem o aval da entidade máxima do futebol.
Como você pode ver, a FIFA leva muito a sério a proteção de suas propriedades intelectuais. Assim como não é permitido explorar elementos oficiais da Copa do Mundo, também é igualmente proibido criar campanhas publicitárias que induzam o público a enxergar sua empresa como uma parceira oficial da FIFA.
É importante ressaltar que o mesmo vale para a exploração de símbolos, imagens, palavras e outros elementos oficiais relacionados à seleção brasileira. Neste caso, o direito marcário é reservado à titular da propriedade, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Quando é permitido usar marcas da Copa do Mundo?
De forma geral, a FIFA não impede o uso editorial, jornalístico, informativo ou descritivo da Copa do Mundo, desde que não haja exploração comercial indevida nem falsa associação com a entidade.
Por exemplo, veículos de imprensa podem noticiar a Copa do Mundo, mas uma empresa que não é parceira e nem patrocinadora não tem autorização para usar os ativos oficiais para promover seus produtos.
Esse conteúdo que você está lendo, por exemplo, é meramente informativo. As restrições sobre o uso de elementos da Copa do Mundo da FIFA são de cunho comercial, sem autorização da entidade, que é detentora de todos os direitos sobre o evento.
Quais os riscos de usar uma marca da FIFA sem autorização?
Como explicamos no início deste texto, usar qualquer elemento marcário relacionado à Copa do Mundo pode gerar muitos problemas para uma empresa que não seja parceira ou tenha a autorização da FIFA.
Estamos falando de notificações extrajudiciais, multas pesadas, apreensão de produtos e processos judiciais que podem não só gerar um grande prejuízo financeiro, como também causar estragos à imagem da empresa ou da marca.
É importante ressaltar que as restrições não se limitam concretamente a nomes, expressões, sinais, símbolos, cartazes e qualquer outro tipo de ativo legalmente protegido. A simples associação indevida à Copa do Mundo, levando o consumidor a crer em vínculo da empresa com a competição, é interpretado como violação de propriedade intelectual.
Em 2014, por exemplo, uma grande cervejaria brasileira se arriscou e se deu mal ao tentar aproveitar a Copa do Mundo no Brasil. Ela criou um rótulo especial que trazia a expressão “Brasil 2014”. Resultado: multa e o recolhimento de 10 mil garrafas em diferentes pontos comerciais em apenas dois dias.
Inclusive, naquele ano, a FIFA identificou mais de 450 violações de direitos sobre propriedade intelectual somente no Brasil. E, claro, não deixou passar batido. Foram inúmeras ações contra uso indevido em ambiente digital (campanhas comerciais em redes sociais, por exemplo) e físico (venda de produtos piratas no comércio).
Como aproveitar o período da Copa do Mundo sem violar direitos?
Depois de ler tudo isso, você deve estar se perguntando neste momento: se é proibido usar palavras, símbolos, imagens e até hashtags oficiais da Copa do Mundo, o que posso usar para aproveitar comercialmente esse momento?
A ideia é explorar o evento de maneira genérica, de forma que a ação não dê a entender a vinculação da sua empresa à Copa do Mundo, à FIFA ou à CBF (no caso de associar ao seu negócio os símbolos nacionais, como a expressão “seleção brasileira” ou o emblema da entidade).
Sempre prefira termos comuns, que não estão diretamente ligados ao evento, como por exemplo “Paixão pelo Futebol”, “Mês da Torcida”, “Paixão Nacional”, “O Grande Jogo”, “Clima de Goleada”, e por aí vai.
A palavra isolada “Copa” também é genérica, mas é preciso ter muito cuidado para que o conjunto da obra não deixe a sensação de vinculação com a Copa do Mundo da FIFA.
Você pode usar também imagens de bola ou troféu, desde que não sejam os mesmos da Copa do Mundo. Também pode utilizar a expressão “seleção” (sem “brasileira”), assim como, uma camisa verde e amarela comum, sem o emblema oficial da CBF.
A criatividade é a grande aliada neste momento. E, convenhamos, não dá para ignorar o maior evento de futebol do planeta, que tem a audiência de 5 bilhões de pessoas em todo o mundo e desperta até mesmo um maior desejo de consumo entre os brasileiros.
Então, agora que você tem bastante informação sobre o tema, é só tomar certos cuidados e aproveitar de maneira legal o período mais aguardado dos últimos quatro anos.