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Indústria brasileira faz campanha para entrar em mercado chinês de calçados

Por anos a fio, a Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) tem visto a China como sua maior ameaça. Agora, quer transformá-la em mercado. “É uma inversão de papéis: de inimigo a consumidor”, brinca Roberta Ramos, assessora de marketing do programa Brazilian Footwear, iniciativa da associação para promover seus sócios fora do país.

Oito empresas estão exibindo seus produtos numa mostra itinerante que começou em Hong Kong e depois vai a Xangai, na primeira grande iniciativa brasileira de fincar seu calçado na segunda economia mundial.

A iniciativa tem apoio da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e é resultado de uma missão prospectiva da Abicalçados enviada à China em agosto passado.

O calçado brasileiro é avaliado como um intermediário entre as grandes marcas de luxo europeias e os sapatos de baixo custo locais.

“Viemos sem pensar que se trata do maior produtor mundial nem que é o centro da pirataria, mas focando no comportamento do consumidor”, diz Cristine Kopschina, consultora de marketing do Brazilian Footwear.

A tarefa é difícil: hoje a importância da China é irrisória – o país está apenas em 47º lugar entre os destinos de exportação. Foram 103.068 pares em 2010, com faturamento de US$ 2,7 milhões e preço médio de US$ 26,02 por par.

A China exportou ao Brasil US$ 90,59 milhões em 2010, com preço médio de US$ 4,50 por par, além da tarifa antidumping de US$ 13,85. O montante pode ser duas vezes maior por conta de exportações via Vietnã, Indonésia, Hong Kong e Malásia, para fugir da sobretaxa.

Uma das marcas presentes é a Anatomic & Co, de Franca (SP). A empresa já tem seis anos de experiência na China e planeja abrir uma loja em Pequim neste ano. Já vende 5.000 pares por ano no país.

Visibilidade

Distribuidor da Anatomic, o chinês Alan Song esteve duas vezes visitando fábricas brasileiras. Para ele, o maior entrave é o desconhecimento sobre o Brasil: “O sapato é “fashion”, tem material de qualidade e preços baixos. O problema é que os chineses não sabem disso, acham que no Brasil só tem futebol”.

Song acha que o evento deveria estar num local mais visível e afirma que as marcas brasileiras deveriam abrir lojas para ter mais visibilidade. “Quem vê a exposição neste hotel de luxo? Deveria estar na rua. Depois desses dois dias, vem o quê? Só alguns cartões de apresentação trocados”.

(Fonte: Folha de S. Paulo – 25/02/2011)

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