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EUA comemoram avanço em negociações sobre o algodão

Brasil suspendeu temporariamente a retaliação a produtos dos EUA.
‘Temos um caminho livre à frente’, disse representante comercial.

Representantes do governo dos Estados Unidos comemoraram, nesta quinta-feira (6), o avanço nas negociações com o Brasil na disputa com relação aos subsídios americanos a sua produção de algodão, o que adiou a imposição de medidas de represália brasileiras.

“Estou satisfeito que nossas equipes tenham conseguido progresso substancial em direção ao um acordo negociado que evitará a imposição de contramedidas ao comércio dos Estados Unidos, incluindo exportações e direitos de propriedade intelectual”, afirmou o representante comercial americano (USTR), Ron Kirk, em um comunicado. “Nós agora temos um caminho livre à frente, um que é do melhor interesse dos EUA e do Brasil”.

Na segunda-feira, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) suspendeu o início da retaliação comercial aos Estados Unidos (EUA) em produtos, que poderia ter início já na quarta-feira (7). Com a decisão, as medidas poderão entrar em vigor só a partir do dia 22 de abril. O adiamento temporário do início da retaliação, de acordo com comunicado do governo brasileiro, tem por objetivo favorecer as “negociações bilaterais” que estão em curso, que poderão “estabelecer as bases para uma futura e definitiva solução mutuamente satisfatória para o litígio”. Até o momento, foram propostas “compensações temporárias” pelos Estados Unidos.

O secretário da Agricultura, Tom Vilsack, também se disse feliz com o progresso das negociações. “Tanto os Estados Unidos quanto o Brasil vão se beneficiar de trabalharmos juntos e resolver nossa disputa”, afirmou. “Espero trabalhar com o Congresso e com o Brasil para criar uma solução de longo prazo para essa disputa, com que ambas as partes concordem, e que atenda às necessidades dos produtores, trabalhadores e consumidores norte-americanos”, disse ele.

Retaliação aos EUA
A Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizou o governo brasileiro a impor retaliações de cerca de US$ 830 milhões por ano aos EUA, em função dos subsídios que o governo americano destina aos produtores de algodão de seu país.

Em produtos, a retaliação brasileira pode chegar a US$ 591 milhões. No início do mês passado, o governo brasileiro divulgou uma lista de produtos que poderão ter o Imposto de Importação elevado como forma de retaliar os EUA. Em propriedade intelectual, a retaliação poderia chegar a cerca de US$ 240 milhões.

Prazos da negociação
O diretor do Departamento de Economia do Ministério das Relações Exteriores, Carlos Márcio Cozendey, informou que o governo brasileiro não eliminou a retaliação. Segundo ele, o governo apenas “postergou” o seu início para permitir a negociação com os Estados Unidos.

“Já tivemos uma discussão inicial sobre compensações temporárias (…) Nesse período [até dia 22 deste mês], o lado norte-americano vai tomar algumas medidas. Se eles efetivamente tomarem essas medidas [propostas já feitas], no dia 22 começa um novo prazo de 60 dias para uma neogociação completa”, informou Cozendey.

De acordo com ele, o que é importante é que há um processo negociador em curso “que consideramos sério e essa seriedade está confirmada com esses compromissos iniciais”.

Fundo para o algodão
Entre as propostas iniciais do governo norte-americano, segundo o Ministério do Desenvolvimento, está o estabelecimento de um fundo para financiar projetos de pesquisa, e de combate à pragas, que beneficiem o algodão brasileiro. Esse fundo, segundo o informado, seria financiado com recursos dos EUA no valor de US$ 147 milhões por ano – o equivalente aos prejuízos sofridos pelo Brasil em decorrência dos subsídios aos produtores de algodão daquele país.

Outra proposta dos EUA diz respeito à febre aftosa. Segundo Carlos Cozendey, os negociadores norte-americanos se comprometeram a declarar o estado de Santa Catarina como livre de febre aftosa sem vacinação. Sem esse compromisso, o processo seria mais demorado. Com a medida, as exportações de carnes brasileiras para os EUA tendem a crescer.

Os Estados Unidos, ainda segundo ele, ficaram de suspender temporariamente a concessão de novas garantias às exportações para todos os produtos agrícolas daquele país. “Seriam oferecidas [posteriormente] em condições mais próximas do mercado”, informou Cozendey.

Fonte: G1

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